História...
Sendo já referenciada em documento relativos ao séc.
XVI, a sua origem é ainda desconhecida.
Segundo o Dr. Joaquim da Silveira (Revista Lusitana nº 24), o topónimo tem
origem no latim "Hederata", que significa povoada ou coberta de heras. Esta tese
não é consensual, já que há quem defenda que o nome vem de "Eira", lugar
onde se malhavam os cereais.
Conhece-se muito pouco do passado da da Erada, contudo este não era certamente muito diferente da realidade que nos finais do século XIX caracterizava o dia a dia de quem aqui vivia, nascia e morria; a pastorícia e a agricultura de subsistência, ocupavam estas gentes determinadas e austeras, verdadeiros herdeiros do espírito lusitano.
O leite, o
queijo e a carne de cabra, o pão de milho (broa) e centeio, a
batata e a castanha, eram a base da alimentação; ainda em meados do século XX, a
castanha era um produto muito importante
na dieta alimentar. Os soutos de castanheiros salpicavam a paisagem destas
serranias. No vasto limite da
freguesia eram apascentados muitos rebanhos, sobretudo de cabras, e dessa
actividade ficam os relatos de muitas histórias de lobos e zaragatas de
pastores; Durante os longos dias de pastoreio, o jogo do pau era uma das formas
de os pastores esquecerem o frio, o medo dos lobos e as duras condições de vida
a que eram obrigados deste a sua infância.
Os principais
produtos agrícolas eram a batata, os cereais (trigo, centeio e milho),
o feijão, o vinho e outros produtos hortícolas de menor importância. Os cereais eram
"malhados" nas eiras e moídos nos diferentes moinhos que existiam junto ao
leito da Ribeira. O pão era cozido nos diferentes fornos comunitários existentes.
A cultura do linho era também praticada, embora sem grande significado na economia eradense; existiam na Erada vários teares manuais que davam apoio a esta actividade.
Desde os finais do século XIX é também conhecida a existência de almocreves que percorriam toda a região serrana comercializando diferentes produtos dos quais se destaca o azeite, o milho e o feijão. No período de expansão da indústria de lanifícios na Covilhã, a produção e comercialização de carvão foi também uma actividade com importância significativa.
Durante as décadas de trinta e quarenta do século XX, com a intensificação da exploração de volfrâmio nas Minas da Panasqueira e na Barroca Grande, muitos foram aqueles que calcorreando matos e penedias, para aí se deslocaram à procura de trabalho e sustento.
Mais tarde, a abertura de uma fábrica de lanifícios em Unhais da Serra veio possibilitar um complemento ao rendimento de algumas famílias.
Nos finais da década de 50, à semelhança do que acontecia na maior parte do país, a emigração para o Brasil, Argentina mas especialmente para a França levou muitos a deixar a terra que pouco lhes dava e procurar a sua sorte noutros lugares; esta emigração era essencialmente masculina, já que as mulheres continuavam por cá a cuidar da terra e do gado e a acompanhar a educação dos filhos. A emigração, provocou uma quebra acentuada da população, fenómeno que ainda hoje se verifica. Entretanto, alguns dos emigrantes das décadas de 50 e 60 do século XX, vão regressando às origens gozando aqui uma reforma merecida e tranquila.